As lições da pandemia

As lições da pandemia

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Artigo Publicado no Jornal do Comércio de 16 de setembro de 2020, quarta-feira na coluna “artigos”.

Qualquer empresa que queira preservar sua reputação precisa ser transparente e estar em conformidade com as regras de boas práticas. Em inglês, “comply” significa agir em sintonia com regras ou padrões estabelecidos, seja pelo mer­cado, governo ou pessoas. No entanto, não basta apenas estar em compliance com as obrigações fiscais, trabalhistas ou de respeito ao meio am­biente. Há um enorme composto de iniciativas e atitudes que envolvem normas, controles e dire­trizes aplicadas às mais distintas áreas, como fis­cal, trabalhista, financeira, contábil, jurídica, am­biental, previdenciária e também ética. Tudo para que a empresa agregue valor a todos os agentes (stakeholders) envolvidos na cadeia do negócio, sejam eles clientes, fornecedores, acionistas, fun­cionários ou governos.

A forma como a empresa se apresenta tam­bém tem que estar alinhada à sua real atuação e em total sintonia entre teoria e prática. A pró­pria pandemia da Covid-19 está deixando lições corriqueiras em nossas casas e empresas. Com as faces negativas expostas e acumuladas pela rotina, agora, com tempo para melhor entender os processos, estamos descobrindo, no fundo das gavetas até então aparentemente arrumadas, que é possível potencializar o uso dos recursos materiais ou financeiros disponíveis em casa ou no trabalho.

A pandemia de Covid-19 está deixando lições corriqueiras em
nossas casas e empresas.

Consciente ou inconscientemente, estamos criando sistemas organizacionais e pessoais para uma melhor utilização daquele bem, patrimô­nio ou capital. Parece simplório, mas é apenas simples mesmo. É isto que está acontecendo na vida real das famílias e empresas privadas. Esse aprendizado em relação aos recursos que real­mente temos disponíveis, do que realmente te­mos e somos, passa mais verdade para o mercado e sociedade e, portanto, mais transparência. Os governos só não percebem isto se não quiserem. Cada qual em sua esfe­ra de poder, os gestores públicos podem e pre­cisam tomar atitudes.

Convém lembrar que este tipo de cons­ciência não se apli­ca apenas a empresas com ações negociadas em bolsas de valo­res ou que exportam para diversos continentes. Transparência é um comportamento exigido de pequenos, médios e grandes empreendimentos pelos órgãos de regu­lação e, mais importante, pelo cidadão que tam­bém atende pelo nome de consumidor, razão dis­to tudo.

Previna, ao invés de seguir o velho hábi­to de remediar. Escolha jogar dentro das regras para garantir transparência e um desenvolvi­mento de longo prazo fortalecendo a reputação de sua marca.

João Custódio

Diretor executivo da Fortus Group