Cervejarias artesanais no Brasil empregam mais do que as grandes indústrias da bebida

Cervejarias artesanais no Brasil empregam mais do que as grandes indústrias da bebida

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De acordo com notícia publicada no final de outubro de 2019, no site do Ministério do Turismo do Brasil, Porto Alegre (RS) é considerada a capital brasileira da cerveja artesanal, possuindo 35 microcervejarias, que atuam de forma regular e credenciadas para a função. Os dados dão conta ainda que o Rio Grande do Sul é o estado que mais tem cervejarias no país, chegando a 186 estabelecimentos. Em segundo lugar está São Paulo, com 165, seguido de Minas Gerais, com 115, e Santa Catarina, com 105, conforme levantamento feito pelo Ministério da Agricultura. A matéria registra ainda que esses números significam que gaúchos e catarinenses, ambos oriundos da região Sul, juntos, possuem um consumo maior a 8 litros por pessoa ao mês, uma média superior do que a nacional, que fica em 5,6 litros.

Empregos – Segundo divulgou a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) com dados obtidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), as cervejarias artesanais empregam mais do que as empresas tradicionais da bebida, respondendo por 54% dos postos de trabalho gerados pelo ramo. As informações do órgão registram também que nos últimos cinco anos mais do que dobrou o número de cervejarias artesanais no país, o que demonstra a importância do setor para a economia brasileira. De janeiro a outubro de 2018, estas empresas criaram mais de 1.700 empregos.

Ainda conforme as informações do Caged, empresas com até 99 funcionários – consideradas de pequeno porte – foram as que mais empregaram, totalizando 951 vagas. As cervejarias artesanais independentes com até quatro colaboradores, foram responsáveis por 800 novos postos de trabalho. Entre os estados, Minas Gerais ficou no topo, com 278 vagas, seguido por Rio Grande do Sul (111) e Santa Catarina (92). Já as indústrias maiores – a partir de 100 funcionários – geraram 806 empregos no mesmo período. Destaque para São Paulo (563), Minas Gerais (382), Rio Grande do Sul (191), Goiás (156) e Rio de Janeiro (110).

Experiência – O gosto dos porto-alegrenses pela bebida artesanal colocou em teste a realização de um roteiro turístico na cidade passando pelas cervejarias locais, oportunizando aos apreciadores conhecer as opções, além, é claro, de ser uma alternativa de incremento ao turismo da capital gaúcha. A iniciativa, denominada de “Porto Cervejeiro”, conforme noticiado no site do Ministério do Turismo, veio do Pacto Alegre, um movimento que engloba diversos setores, com projetos que têm o propósito de transformar Porto Alegre em polo de inovação de alto impacto e referência em qualidade de vida.

O roteiro foi experimentado nos finais de semana entre outubro e início de novembro de 2019. Participaram da novidade nove empresas – Babel Cervejaria, DNA Beer, 4Beer – Cerveja e Cultura, Hatha Beer, Al Capone Cervejaria Artesanal, Irmãos Ferraro Microcervejaria, Cervejaria Porto Alegrense, Cervejaria Seasons e Cervejaria Staunen Bier -, que ficavam abertas em um determinado horário e a pessoa interessada em conhecer fazia o seu próprio roteiro.

“Cervejarias artesanais empregam mais do que as empresas tradicionais da bebida, respondendo por 54% dos postos de trabalho gerados pelo ramo.”

 

Conforme avaliou Caio de Santi, proprietário da cervejaria 4Beer, a forma como o “Porto Cervejeiro” funcionou é interessante porque dá liberdade para as pessoas. “Mas, no futuro, acredito que precisamos ter, em alguns dias da semana, um ônibus circular que faça um roteiro passando por várias cervejarias. A pessoa compraria um ticket e desceria nas cervejarias que desejasse, fazendo o tour cada uma no seu tempo.”

Foto: Everson Almeida

Porém, o microempresário evidenciou a importância do roteiro, pois, em razão da iniciativa, que gerou mídia e divulgação nos meios de comunicação, disse ele, porto-alegrenses e brasileiros em geral tiveram a oportunidade de saber que Porto Alegre é a capital das microcervejarias. “Porto Alegre é a cidade no Brasil que mais tem cervejarias, e podemos ser sim um destino turístico e cervejeiro.” De acordo com Caio, o “Porto Cervejeiro” é um trabalho a longo prazo e que precisa ser realizado constantemente e com investimentos permanentes para se consolidar. “Não é de uma hora para outra que conseguiremos marcar nossa posição como a capital cervejeira do Brasil. O roteiro contribuiu muito para que as empresas se preparem melhor para, no futuro, termos o “Porto Cervejeiro” como uma atividade contínua”, avaliou.

Caio comentou também que existem centenas de estilos da bebida, cada uma com suas características, e cada cerveja para um momento, pois são muito diferentes entre elas, o que considera bem interessante. “Sempre se consegue achar um estilo de cerveja adequado para o momento, levando em conta a temperatura, a harmonização e a experiência que se quer, sendo esses alguns motivos que me levam a gostar tanto do mundo da cerveja.” Segundo ele, a que mais aprecia é a que não tenha sofrido com transporte e armazenamento. “Prefiro uma cerveja que eu possa tomar bem próximo de onde é fabricada”, afirmou.

PERSONALIDADE

Que a fonte nunca seque!

A frase que dá título a esta entrevista é de autoria do apreciador de cervejas, que também atua como consultor, palestrante e jurado no meio cervejeiro, além de baterista da banda Nenhum de Nós, Sady Homrich Junior.

Graduado em Engenharia Química pela PUCRS, tinha como plano inicial ser um engenheiro químico e ter a música como hobby. Durante a universidade, conseguiu conciliar ambas as atividades, já que gostava muito das duas. Porém, contou Sady, quando começaram a aparecer as oportunidades para a banda, teve que optar. “Foi aí que me transformei em um músico com hobby de engenheiro químico, aprofundando os conhecimentos na cerveja.”

Sady conheceu as primeiras cervejas artesanais na década de 1980, mas começou a apreciar de verdadeiramente a partir da implantação do DaDo Bier em Porto Alegre (RS), em 1995. “Sempre gostamos da cerveja em família!” Entretanto, após ter ingressado na faculdade de Engenharia Química interessou-se mais sobre o assunto depois de uma visita técnica na Cervejaria Continental, da Cia. Cervejaria Brahma. “Daí em diante logo coloquei as mãos na massa, ou seja, nas panelas. Sou cervejeiro caseiro desde 1983.”

– Qual o tipo de cerveja artesanal você mais aprecia?

Gosto de cerveja! Para mim só existem dois tipos, as boas e as ruins. Quanto aos estilos isso varia de acordo com a época. Atualmente, tenho curtido as American Pale Ale, ou APA. É um estilo aberto, que permite uso de ingredientes de várias origens, tem refrescância, persistência e vai muito bem com churrasco!  

– O que uma cerveja artesanal precisa ter para ser considerada boa para você?

Em primeiro lugar deve ser honesta, ou seja, deve conter exatamente o que diz o rótulo. Precisa estar livre de aromas e sabores indesejáveis e trazer certa personalidade.

– Qual sua preferência de prato para harmonizar com cerveja?

Cada vez mais a cerveja tem comprovado seu amplo poder de harmonização. A pluralidade de estilos ajuda bastante. Muitas receitas são formuladas pensando em frequentar mesas com potencial gastronômico. Nesse verão experimente uma refrescante cerveja estilo Catharina Sour com ceviche de peixe branco.

– A cerveja na sua vida é?

Assim como a cerveja vem acompanhando a humanidade ao longo da história, na minha vida ela faz parte do dia a dia! Meu casamento com minha esposa, a Mari, foi regado a chope claro e escuro de uma antiga cervejaria! Quando o Nenhum de Nós foi tocar na China, em 2010, fiz questão de brindar com a banda abrindo uma cerveja sobre a Grande Muralha! E ao completar 25 anos, a canção “Camila Camila” ganhou uma cerveja comemorativa da cervejaria Bamberg, de São Paulo, que recebeu vários prêmios e segue sendo produzida.

Ainda tenho recordações de viagens à Alemanha, Bélgica e Reino Unido, que têm muita história cervejeira pra contar. Quase chorei ao beber a Pilsner Urquell, tomada nos subterrâneos da fábrica em Pilsen, na República Tcheca!

Beba cerveja com elegância e moderação!

Abraços do ‘Burgomestre’ Sady Homrich e…

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