Descubra o Segredo de 30 anos de Sucesso

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Tempo de leitura: 8 minutos

Thedy Corrêa: um apaixonado por histórias

“Não tem muito segredo para seguirmos juntos, simplesmente éramos amigos e seguimos amigos. Mas, a banda também teve a sorte de juntar pessoas que acreditaram e acreditam no que fazem.”

Dono de uma prosa calma e espontânea e com muita convicção no que acredita, este músico, escritor, palestrante e engenheiro essay writer help civil de formação atende pelo nome de Thedy Corrêa. Ele, que é gaúcho, nascido e criado no Centro de Porto Alegre (RS), é o vocalista da banda Nenhum de Nós, junto com os músicos Carlos Stein, Sady Homrich, João Vicenti e Veco Marques, que faz sucesso na cena musical brasileira há 32 anos.

Cheio de histórias interessantes e curiosas para contar, seus múltiplos talentos se interligam justamente pelas narrativas que estão presentes em todas as suas facetas, sejam elas escritas ou faladas. Passando pela banda, por sua atuação como escritor e de dez anos para cá também como palestrante, você vai saber um pouco sobre a trajetória deste artista que é enfático ao declarar que “o grande lance da democracia é pensar diferente e chegar a um lugar comum.”

Nenhum de Nós – Tudo começou como um projeto de amigos. Thedy, Carlos Stein e Sady Homrich se conheceram no colégio, mais precisamente na então 5ª série do Ensino Fundamental, quando tinham cerca de dez anos de idade. E, nas palavras do próprio Thedy: “essa amizade sempre teve música envolvida. Nosso programa predileto era sair para assistir shows”.

Nos anos 1980, período em que se criou a cena do rock brasileiro, os amigos ficaram motivados a criar a banda de forma profissional. Em 1986, fizeram o primeiro show. “Em pouco tempo conseguimos uma gravadora em função de uma música que foi nosso cartão de visitas muito forte que é a “Camila, Camila”, tocada pela primeira vez no Bar Ocidente, na capital gaúcha”.

Demorou um tempinho para o grupo estourar, mas quando isso aconteceu, em 1988, “Camila, Camila” foi uma das músicas mais tocadas nas rádios do Brasil, o que ajuda a explicar a questão de a banda ser perene e de se manter atuante há 32 anos. O tipo de proposta que os músicos trouxeram era muito de acordo com o que acontecia naquela época.

“Cazuza escrevendo letras viscerais, Renato Russo trazendo canções com questionamentos que até hoje perduram, os Titãs com a coisa da poesia concreta, e por aí vai. Ou seja, era uma cena muito provocativa em que a gente não podia chegar com um discurso muito leve ou vazio porque íamos desaparecer ali no meio. Fomos lá e com a “Camila, Camila” já propusemos um tema complicadíssimo.”

A letra fala de uma história de violência e de abuso contra a mulher. É uma história real, onde a personagem passou pelo que a música narra. “As canções que o Nenhum escreveu buscam outras camadas, não ficam no superficial, sempre procuramos trazer um conteúdo conectado a um fato, e por isso acho que esse é o segredo de a banda permanecer até hoje.”

Sucesso nacional – O Nenhum de Nós é uma banda nacional. “Camila, Camila” foi uma das músicas mais tocadas no Brasil, em 1988. E, no ano seguinte, a banda teve “Astronauta de Mármore” como a música mais tocada no Brasil.

Foram dois anos seguidos de muito trabalho, turnês e viagens, onde o grupo chegou em todo o território nacional com músicas que ficaram. Essas duas canções começaram a tocar e nunca mais pararam. Tem rádio de Manaus, do Acre, da Bahia, entre outras, que quando fazem flashback incluem o Nenhum de Nós. “No momento em que passamos a ser artistas nacionais, não perdemos esse status. Nesses 32 anos de atuação já percorremos todo o País e seguimos assim.”

Banda Nenhum de Nós

União – Além de os integrantes da banda terem uma amizade muito próxima, no geral, analisa Thedy, o que faz as bandas se separarem são alguns começarem a desacreditar no que está sendo feito. “Não acreditar na letra, na importância que a música vai ter, nessa ideia… e nós temos uma coisa muito legal que é conversar, baixar a cabeça e trabalhar, conversar, baixar a cabeça e trabalhar…”

E, falando em sorte, a Nenhum de Nós teve a sorte de encontrar um empresário bacana como é o Antônio Meira, que até hoje cuida dos negócios do grupo. “Isso sim foi uma sorte, de ele ter cruzado nosso caminho. Tem até um ditado em latim sobre isso: “a sorte ajuda os audazes, os corajosos”, e essa frase está até no nosso segundo disco. E foi isso, tínhamos vontade de fazer as coisas e a sorte também nos ajudou colocando as pessoas certas no nosso caminho.”

“Temos uma amizade muito próxima! Percebo que o que faz as bandas se separarem são alguns dos integrantes começarem a desacreditar no que está sendo feito. Não acreditar na letra, na importância que a música vai ter, nessa ideia… e nós temos uma coisa muito legal que é conversar, baixar a cabeça e trabalhar, conversar, baixar a cabeça e trabalhar…”

Fãs – Thedy observa que hoje está mais fácil manter contato com os fãs em razão das redes sociais. “Eu mesmo respondo para os fãs, posso até demorar, mas sou eu quem respondo. O meu contato com os fãs é verdadeiro. Não existe uma resposta pronta, automatizada.”

Em 2018, a banda se apresentou no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG), e depois de duas horas e meia de show, ficou quase três horas recebendo o público, foram cerca de 300 pessoas que os músicos atenderam no camarim. “Eu adoro as histórias das pessoas, saber o que elas têm para contar.”

Escritor – O início foi em 2006, com um livro de poemas, intitulado “Bruto”, que traz escritos que Thedy tinha guardados há 20 anos, sendo naquele ano o livro mais vendido na Feira do Livro de Porto Alegre. A partir daí, começou a se interessar pelo meio literário, e costuma dizer que recebeu uma missão do escritor Moacyr Scliar: “encontrei-o e falei que tinha sido convidado para um evento literário, mas eu não sabia se iria, e o que ele me disse foi definitivo: tua missão é levar o público da música para dentro das feiras de livros, quem for te ouvir cantar, também tem de te ouvir falar”. E por aí foi, lançou outros livros, além de roteiros de histórias em quadrinhos e, inclusive, para uma antologia que saiu no mercado norte-americano.

Palestrante – “Eu sempre gosto de dar o crédito para a pessoa devida, e o cara que me disse para fazer isso, ou melhor, que me inventou palestrante chama-se Tulio Milman.” Isso aconteceu lá na época do Café TV COM, onde ambos, junto com outras pessoas, eram os protagonistas do programa.
O papo com Tulio foi lá no fim de 2007, início de 2008, e, em 2009, iniciou. Não queria fazer de qualquer jeito. Nesse mercado de palestras, aprendeu que muita gente vende o que não tem para vender. Ou seja, é especialista em algo que nunca praticou, que nunca vivenciou. “Sempre pensei que depois de uma hora e pouco de palestra não podia ser algo que a pessoa não lembrasse mais no outro dia, ela teria de levar com ela o que ouviu.”

E esse trabalho que faz é um workshow, onde o público também participa diretamente. “Eu vou até a metade do caminho e a outra metade as pessoas que se aproximam de mim, e funciona muito isso.”

Nessa uma década também como palestrante, ele já realizou esse workshow intitulado “Soluções Criativas” para diferentes públicos e segmentos. Entre eles, líderes e gerentes de uma empresa de aço; na semana acadêmica de uma universidade; dentro do próprio Facebook, em São Paulo (SP); passando por uma vinícola, na área de Segurança do Trabalho; para toda a equipe do Tribunal de Justiça de Rondônia, num hotel, praticamente no meio da Amazônia; bem como para a equipe e convidados da Fortus Group.

Thedy Correa

O Brasil de hoje – “É um país onde se passa por uma situação de divisão muito acirrada, e eu, com minha experiência de vida, nunca tinha visto tanto assim. Minha maior preocupação é a questão da intolerância, pois vejo que as pessoas não se dispõem mais a ouvir opiniões contrárias, sendo aquela famosa história: não ouvi e não gostei… Acho que com isso se corre um risco muito grande de se criar uma cisão que vai se levar décadas para ser consertada, onde se tenha novamente um ambiente em que se tolere a opinião alheia e contrária ao que cada um pensa. Democracia pressupõe diálogo, ideias têm de ser discutidas. Todos têm de ser ouvidos, independente do lado que estão. Temos que parar com a visão de que não se consegue conviver com o pensamento oposto, pois o grande lance da democracia é pensar diferente e chegar a um lugar comum.”

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