Renegociação de dívidas: saiba como fazer e saia do aperto

Renegociação de dívidas: saiba como fazer e saia do aperto

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As dívidas estão atrapalhando seu sono e interferindo no seu dia a dia? Se isso vem ocorrendo, chegou a hora de você parar, olhar para o problema e buscar uma solução renegociando suas dívidas, pois quanto mais o tempo passa maior serão os juros a pagar. A seguir, o CEO da Fortus Group, João Batista Custódio Duarte, e a advogada, mestre e doutoranda em Direito Empresarial, com vasta experiência na atuação de recuperação judicial e renegociação de dívidas, Cláudia Gonçalves, respondem as principais dúvidas sobre o tema.

Tenho dívidas de cartão e contas atrasadas, devo fazer um empréstimo para pagar?

  • O primeiro passo é analisar os seguintes pontos:
  • Qual o juro está sendo cobrado no cartão;
  • Qual o juro e prioridades das outras contas; 
  •  O valor de empréstimo disponível supre toda a necessidade? 
  • Qual o juro oferecido? 
  • Exige garantia? Casa, financiamento de carro etc. 

Assim, a sugestão é escrever todas as informações e verificar se o empréstimo cobrirá as dívidas em sua totalidade, com juros menores e sem modificar as condições de garantias, não incluindo outras. Se após este exame você conseguir uma boa negociação, pode ser uma alternativa. Porém, fique atento e verifique o real custo do dinheiro e não apenas o valor da parcela a ser paga pelo empréstimo.

Estou com parcelas do financiamento habitacional em atraso, quais riscos? Como devo proceder?

No caso de financiamento habitacional é preciso muita atenção. Atualmente, os contratos de financiamento são garantidos por meio de alienação fiduciária. Isso significa que a instituição financeira pode promover a consolidação da propriedade direto no cartório, sem que haja um processo, apenas lhe notificando. No caso, trata-se de uma notificação extrajudicial enviada diretamente pelo cartório. 

Sendo assim, um pouco antes de vencer a terceira prestação ou logo após ao seu vencimento, procure o banco. É possível renegociar diretamente. Alguns contratos permitem redistribuir as parcelas atrasadas para o final de contrato. Ou ainda liberar saldo de FGTS para pagamento durante o contrato.

Em virtude de estar desempregado a cerca de quatro meses, estou em dívida com o condomínio, posso ser processado? E se não conseguir pagar, o que fazer? 

Sim, o condomínio pode mover um processo e a dívida recai sobre o imóvel, podendo este bem ir a leilão. Mas, calma, pois existe a tentativa de uma negociação mesmo que já tenha processo. Logo, o ideal é que não deixe ir para o judiciário por conta dos custos, pois as administradoras sempre estão abertas à negociação, parcelamento e sobre os juros e multa, pode conversar com o síndico para ver a possibilidade de acerto. Alguns acordos devem ser aprovados em assembleia ou pelo conselho, dependendo de cada convenção.

Estou na Serasa faz três anos e o banco me ofereceu um acordo parcelado, devo aceitar? 

Normalmente, acordos parcelados são péssimos, uma vez que renova a dívida e os juros e multas. Uma dívida de três anos com o banco, geralmente já foi cedida/vendida para outra instituição e é possível descontos de 90% para quitação. 

Tenho uma mecânica e perdi um grande cliente. Terei sérias dificuldades para pagar minhas contas daqui para frente. Quais dicas me daria para renegociar os meus contratos de empréstimos bancários?

Primeiro, procure seu gerente e tente pedir uma suspensão dos pagamentos, normalmente é possível redistribuir parcelas para o final. Porém, alguns bancos só fazem isso quando as parcelas já estão em atraso. 

Entretanto, cuidado com as renegociações. Analise as taxas de juros, mas como você não está com atrasos é provável que o banco lhe ofereça mais crédito, com juros mais altos para quitar esse empréstimo e fazer outro mais longo com parcelas menores. Isso, normalmente representa um aumento considerável nos juros. Nesse caso é melhor atrasar um ou dois meses e colocar em dia depois.

Tente também mais prazos com seus fornecedores, que não cobram juros e pague o banco. Ofereça algum desconto para seus clientes, assim pagará menos juros. Você ainda pode reorganizar as despesas, cortando gastos, até que consiga outros clientes.

Devo vender meus bens para pagar dívidas?

Se você tem um carro, por exemplo, vendê-lo para quitar um empréstimo, incluindo aí o rotativo do cartão e o cheque especial, pode ser duplamente vantajoso. Você pode conseguir um desconto para liquidar o que deve, interrompendo o pagamento de juros e o crescimento do saldo negativo. E ainda fazer uma boa economia com combustível, estacionamento, seguro, IPVA e a depreciação do automóvel. Essas despesas, juntas, podem chegar a um terço do valor do carro a cada ano. Ou seja, se possui um veículo de R$ 30 mil, poderá deixar de gastar cerca de R$ 9 mil por ano com este automóvel.

Após alguns anos dívidas caducam e deixam de existir? 

O Código Civil estabelece um prazo máximo de dez anos para a cobrança de dívidas. Após este período, o credor não poderá mais entrar com um processo na justiça para exigir o pagamento. A maioria das contas, como boletos, água, luz e telefone, prescrevem em cinco anos. Porém, você não perde o histórico da inadimplência na instituição onde foi contraída a dívida e não paga.

Tenho um pequeno mercado e tentei renegociar a dívida em aberto de um ano com o banco, mas não tive êxito numa transação que ficasse dentro de minhas possibilidades. Como proceder?

Nesse primeiro momento, sugiro abrir uma conta em outro banco, para não depender apenas desse fornecedor. Os bancos estão preocupados em receber e geralmente estão abertos à renegociação. Quanto mais líquida a garantia para o banco menor é a flexibilidade dele para abrir uma negociação. Entretanto, caso após uma segunda tentativa você não obtenha êxito, sugiro procurar um profissional especializado, que esteja ao par de outras negociações já feitas pela instituição.

Fui fiador de um amigo em um contrato de locação. Ele não pagou os aluguéis e o proprietário não aceitou o parcelamento proposto pelo inquilino. Agora, estou apenas com um imóvel no meu nome, onde resido. Corro risco de perder esta casa?

Sim. Infelizmente a fiança é um grande risco e nesse caso você pode perder a sua casa. Uma alternativa é analisar se https://vgrmalaysia.net/ todos os quesitos legais do contrato foram cumpridos, como por exemplo se o cônjuge assinou ou se ainda o prazo da locação teve alteração durante a vigência. Logo, é imprescindível que você renegocie os valores, comprometendo o seu amigo a pagar parte da parcela. Todavia, nesse caso indico a contratação de um negociador profissional para uma orientação adequada para tal questão.

Tenho dívidas com a escola de meu filho e estou propondo um parcelamento. A instituição de ensino pode reter o boletim dele e se negar a fazer a matrícula para o próximo ano letivo?

A escola não pode reter o boletim ou qualquer outro documento do estudante. Mas a matrícula, sim, pode ser negada. No entanto, as escolas de uma maneira geral estão flexíveis em negociar, visto não querer perder o aluno, ainda mais quando ele está há anos na escola

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