Valuation: saiba quanto vale seu negócio

Valuation: saiba quanto vale seu negócio

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Saber o preço, quanto vale um item e definir critérios são práticas utilizadas não só pelas pessoas no geral, em seu cotidiano, mas também no mercado de ações e no mundo empresarial, onde a realização de investimentos é necessária para o crescimento do empreendimento. Por isso, saber o valor justo do negócio é por demais importante. E é neste sentido que entra a ferramenta chamada Valuation, que se caracteriza pela medição do potencial econômico de uma determinada empresa.

Conforme avalia Alexandre Lerch Franco, doutor em finanças, especialista em avaliação de ativos e parceiro da Fortus, esta é uma atividade que exige um nível de capacitação muito grande por parte do avaliador. “Esse profissional precisa ter o conhecimento específico dos indicadores financeiros mais relevantes, os chamados direcionadores de valor, bem como a capacidade de identificar as forças e fraquezas do negócio, sem influenciar os resultados da análise com percepções subjetivas”, esclarece. A seguir, o especialista explica de forma mais detalhada algumas importantes questões sobre o assunto.

– O que é essencial considerar para fazer o Valuation de um negócio?

Um Valuation bem feito é aquele em que ambas as partes se convencem que o resultado atingido reflete o valor justo para o negócio. É o que costumo chamar de ponto neutro da avaliação, onde nenhuma das partes é mais favorecida do que a outra.
A questão mais difícil no Valuation é identificar esse ponto neutro. Em alguns casos, por exemplo, uma estratégia que tenho por hábito utilizar em empresas de pequeno porte (cafeterias, franquias, restaurantes etc.) é determinar os valores que sustentariam os desejos das partes (compradores e vendedores) e, com essas extremidades, obter o valor médio.
O Valuation mais objetivo de todos é o famoso “consenso de mercado”, que podemos verificar nos preços das empresas de capital aberto.

Porém, temos inúmeras empresas de capital fechado que não possuem esse benefício de ter o seu valor de mercado disponível. E quanto menor for o tamanho do negócio, mais difícil será essa interpretação de valor.

– De que forma esta avaliação é feita?

Em primeiro lugar, deve-se analisar os demonstrativos financeiros. Nessa etapa é crucial termos uma contabilidade organizada e que reflita a realidade do negócio. Se o relatório gerencial for muito diferente do contábil, precisamos partir para o plano B, que consiste em elaborar um DRE Operacional mais justo para o negócio.

Após identificada a real geração de valor do negócio, ou seja, o seu resultado operacional, parte-se para a projeção explícita, que busca identificar o desempenho operacional para os próximos cinco ou dez anos. Nesta fase da avaliação é crucial separar o que é operacional e o que são decisões gerenciais tomadas pelos gestores anteriores, que podem ter influenciado no desempenho do negócio até agora.
Por exemplo, decisões de investimento e financiamento são decisões gerenciais, não são despesas operacionais, e devem ser excluídas da análise histórica e da projeção explícita. Depois, parte-se para a aplicação de pelo menos duas metodologias de avaliação:

“Valuation é uma atividade que exige um nível de capacitação muito grande por parte do avaliador. Esse profissional precisa ter o conhecimento específico dos indicadores financeiros mais relevantes, os chamados direcionadores de valor, bem como a capacidade de identificar as forças e fraquezas do negócio, sem influenciar os resultados da análise com percepções subjetivas.”

  • Método do Fluxo de Caixa Descontado (Discounted Cash Flow): busca determinar o valor presente dos fluxos futuros descontados ao custo de capital acrescido da taxa de risco inerente ao negócio
  • Método de Avaliação Relativa (Relative Valuation): busca determinar o valor de mercado de um negócio relativizando os seus indicadores de resultado com os de empresas semelhantes, geralmente de capital aberto cuja percepção de valor é mais lógica, consensual e determinística.

Por quais motivos empresas realizam esta avaliação?

Primeiramente, para ter uma mensuração do seu valor de mercado sem a influência da opinião de valor dos seus stakeholders (partes interessadas). Depois, seria utilizar esse valor de mercado como métrica para analisar o desempenho da gestão da companhia, além de balizar as entradas e saídas dos sócios que seriam recompensados por critérios justos e objetivos.

Um terceiro objetivo poderia ser descrito como uma possibilidade de analisar o desempenho atual da estrutura de custos de uma empresa e compará-la com estruturas de empresas do mesmo setor. Isso, para identificar a estrutura ótima de custos fixos e financeiros e traçar metas gerenciais para atingi-la e, por consequência, conquistar a máxima valorização de suas ações.

– De que forma os empresários podem se utilizar das informações depois de realizada a avaliação para alavancar ainda mais os negócios que possuem?

Toda instituição financeira para disponibilizar recursos via operações de financiamento, principalmente os de longo prazo que são os menos onerosos e de menor custo, exigem da empresa tomadora um business plan e um kit banco, que prevê, entre outras coisas, os demonstrativos financeiros e uma demonstração da capacidade de pagamento das prestações futuras. O Valuation serve para demonstrar essa capacidade de pagamento, além de apresentar o valor intangível do negócio (valor da marca, inclusive), aquele que supera o seu valor contábil. Ademais, fornece subsídios para a instituição financeira a respeito da geração futura de valor da companhia, o que reduz a incerteza e proporciona uma negociação mais favorável para a empresa tomadora.

– Que tipos de empresas costumam fazer esta avaliação?

Qualquer empresa com fins lucrativos pode ter o seu Valuation medido em qualquer momento. Aquelas com prejuízos acumulados, inclusive, porque decisões de financiamento e de investimento, são resoluções não operacionais, e podem ter influenciado nos resultados do negócio, mas a operação em si pode ser muito rentável e ou lucrativa, se não fosse a necessidade pontual de recursos e investimentos (necessidade de capital de giro, tamanho e manutenção do imobilizado).

Empresas sem fins lucrativos também podem ter uma métrica de Valuation, porém apenas de sustentabilidade, onde deve-se prever a continuidade dos negócios com o total reinvestimento das sobras financeiras. O objetivo, neste caso, não seria de determinar quanto vale o negócio, mas sim por quanto tempo ele conseguiria se manter com a mesma estrutura de custos.

*Alexandre Lerch Franco possui doutorado em finanças pela UFRGS. Desde 1998, É professor de finanças em cursos de MBA, nas disciplinas de Finanças Corporativas, Mercado de Capitais e Gestão Estratégica de Custos e Precificação em instituições como UCPEL, UNIFTEC, FEEVALE, FSG, UNIRITTER, entre outras. Atua ainda como representante de diversos fundos estrangeiros com interesse em investir no Brasil, sendo selecionado diversas vezes como advisor em operações de M&A. É também conselheiro fiscal e de administração de diversas empresas, públicas e privadas.

 

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